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Conferência Nacional 2003
Empresas e Responsabilidade Social
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Gerente da Fundação Dom Cabral
prega harmonia entre
eficácia empresarial e responsabilidades com a comunidade
Quando trabalhava na área de qualidade da Companhia Energética
de Minas Gerais (Cemig), Cláudio Boechat, hoje professor
e gerente da Fundação Dom Cabral (FDC), percebeu
que para uma empresa ser excelente, não basta ter sua qualidade
percebida pelo cliente. “Ela precisa ter qualidade para
todos que são afetados por sua existência, por toda
comunidade”.
Desde então, Boechat – coordenador da oficina de
formação Primeiros Passos, da Quinta Conferência
Nacional do Instituto Ethos – atua na disseminação
e no estudo da responsabilidade corporativa no Brasil. Para isso,
fundou o Núcleo de Sustentabilidade e Responsabilidade
Corporativa na FDC.
Para Boechat, o papel do empresário na sociedade globalizada
passou por grandes transformações. Em sua visão,
o gestor empresarial deve harmonizar as demandas de eficácia
e as demais responsabilidades da corporação junto
à sociedade. Confira a seguir a opinião de Boechat
sobre o papel das empresas e sobre o papel de eventos como a Conferência
Nacional.
Instituto Ethos: Qual a importância de se investir
em responsabilidade corporativa?
Cláudio Boechat: Até dois anos
atrás, eu coordenava a promoção da qualidade
na Cemig, onde trabalhei 21 anos. Nessa época, percebemos
que os profissionais já concebiam a qualidade como um atributo
da companhia, mais amplo do que a eficiência do produto.
Isso me chamou a atenção para a noção
de que para uma empresa ser excelente, não basta ser vista
de forma positiva pelo cliente. Ela precisa ter qualidade para
todos que são afetados por sua existência, por toda
comunidade.
As áreas que atuam na relação com a comunidade
ganham força naturalmente, na medida em que damos visibilidade
e valor para elas. O gestor empresarial deve harmonizar as demandas
de eficácia empresarial para atender aos acionistas e proprietários,
com as demais responsabilidades decorrentes do fato de que empresas
vivem em ambientes compartilhados com outros atores sociais.
Instituto Ethos: Quais são os projetos desenvolvidos
pela Fundação Dom Cabral?
Cláudio Boechat: A Fundação
Dom Cabral é uma instituição dedicada à
formação de gerentes e lideranças empresariais.
Criamos aqui o Núcleo de Sustentabilidade e Responsabilidade
Corporativa, com o papel de desenvolver e multiplicar o conhecimento
e as práticas nesses campos. Sabemos que gerentes e líderes
são determinantes na caracterização das ações
empresariais. Para onde a liderança olha, olham os liderados.
Empresas são espaços privilegiados para o exercício
da liderança. Trabalhar com os líderes, portanto,
significa acionar alavancas poderosíssimas.
Instituto Ethos: Qual a importância da Conferência
anual promovida pelo Instituto Ethos para o movimento nacional
de Responsabilidade Social Empresarial (RSE)?
Cláudio Boechat: A Conferência concentra
a atenção de quem quer entrar ou já está
transitando na estrada da responsabilidade social empresarial.
Incluam-se aí todos que atuam na evolução
das práticas gerenciais em qualquer função,
além dos que trabalham diretamente ligados à atuação
social das empresas. Sob esse aspecto, ela é a referência.
É o momento do encontro, a possibilidade de adquirir novos
conhecimentos e de atualizar os antigos, a certeza da oportunidade
de conectar-se com os praticantes da vanguarda da gestão
ética das empresas.
Instituto Ethos: Fale um pouco sobre a dimensão
econômica da RSE.
Cláudio Boechat: O dinheiro só
faz sentido quando dá valor às coisas de acordo
com sua importância para o bem-estar humano. Usar o dinheiro
para algo que não seja facilitar trocas entre indivíduos,
organizações e nações é degradar
uma grande invenção da humanidade. Sabemos, porém,
das imperfeições humanas e que o dinheiro provoca
muitas complicações.
Instituto Ethos: O desenvolvimento sustentável
é uma maneira de resolver essas complicações?
Cláudio Boechat: O equilíbrio proposto
pela idéia da sustentabilidade, do desenvolvimento sustentável,
parece ser o de maior aceitação atualmente. Equilibrar
os aspectos econômicos com os sociais e os ambientais é
um fator regulador da cobiça. Pessoas vivendo em sociedade,
compartilhando um mesmo planeta, precisam ter essa noção
do bom tempero das motivações.
Instituto Ethos: Qual será o seu papel nesta edição
da Conferência como coordenador da Oficina de Formação
Primeiros Passos?
Cláudio Boechat: Imaginamos uma dinâmica
que permita aos participantes conhecer instrumentos para interação
do interior das empresas com o mundo real. Exercitamos oficinas
de prática de balanços sociais, códigos de
ética, indicadores e outras em nossos cursos na FDC e no
I Seminário Aberto de RSE em MG, que aconteceu em 2002.
A excitação das pessoas em sentir a possibilidade
de colocar a mão na massa, de agir para as mudanças
em seu próprio ambiente de trabalho, é entusiasmante.
O meu papel será o de criar as dinâmicas e conteúdos
que façam com que os participantes se sintam donos de ferramentas
que podem ajudá-los a mudar realidades de empresas. Que
essas pessoas reforcem suas possibilidades de abrir espaços.
Para que a riqueza do convívio dentro de empresas saudáveis
se espalhe e que essas ondas se fortaleçam mutuamente,
chegando às comunidades.
Responsabilidade
Social I Histórico
I O Evento
I Estrutura
da Conferência
Público-Alvo
I
Programação I
Procedimentos
para Inscrição
Ficha de Inscrição
I
Informações
Complementares
Hospedagem
I Datas
e Local
I Apresentações Conferência
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