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Conferência Nacional 2003
Empresas e Responsabilidade Social
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RSE deve estar no DNA das empresas”,
afirma Francisco Azevedo
Um Diretor-executivo da Fundação Telemig
Celular, Francisco de Assis Azevedo ostenta um respeitável
currículo ligado a práticas de responsabilidade
social, área em que atua há mais de 15 anos. Atualmente,
a instituição que dirige desenvolve ações
em 853 municípios mineiros. Em sua carreira, Azevedo atuou
em uma série de outros projetos e instituições.
Foi presidente da Fundação Acesita, da Federação
de Fundações de Minas Gerais (Fundamig), vice-presidente
do Conselho de Cidadania Empresarial da Federação
das Indústrias de Minas Gerais (Feimg) e ajudou a criar
o Conselho de Responsabilidade Social Corporativa da Federação
das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), entre outros.
O coordenador da oficina de formação
Dimensão Social da Conferência Nacional do Instituto
Ethos acredita que as empresas devem encarar suas fundações
e institutos não apenas como um braço social, “mas
como seu DNA”. Para ele, “o instituto deve interagir
com as demais áreas da corporação”.
A seguir, confira os principais trechos de sua entrevista ao Instituto
Ethos.
Instituto Ethos: Qual o papel do Instituto
que o senhor dirige na difusão da responsabilidade social
na Telemig Celular?
Francisco Azevedo: Procuramos inovar aqui no
Instituto Telemig Celular com uma nova forma de gestão.
Transformamos o Instituto não no braço social da
empresa, mas no seu DNA, ou seja, atuamos dentro da empresa e
interagimos diretamente com as demais áreas. Além
de cuidarmos dos projetos de desenvolvimento social, somos os
responsáveis pela implantação dos Indicadores
Ethos de Responsabilidade Social.
A implantação dos indicadores na companhia
deve contar com o envolvimento de todas as áreas. A empresa,
para alcançar resultados nesses projetos, deve, mais do
que disponibilizar recursos financeiros, colocar a serviço
do desenvolvimento social toda sua rede de relacionamentos, seu
nome e sua influência junto a diversos segmentos da sociedade.
Instituto Ethos: Qual a importância
desses indicadores?
Francisco Azevedo: A dimensão social se
manifesta de forma mais clara quando tratamos de valores e transparência,
público interno e, principalmente, do relacionamento que
a empresa tem com as comunidades do seu entorno através
da ação social, que hoje chamamos de investimento
social privado. Existe ainda uma certa confusão entre ação
social e responsabilidade social das empresas. A ação
social é apenas um dos aspectos da RSE. A dimensão
social é um importante aspecto da RSE, pois ela cuida em
geral, do aprimoramento das relações da empresa
e procura sempre incentivar ações éticas
e de melhoria da qualidade de vida, não só de seus
funcionários como da comunidade, envolvendo para isso toda
sua rede de relacionamentos.
Instituto Ethos: Quais os projetos desenvolvidos
pelo Instituto Telemig Celular ?
Francisco Azevedo: Fui convidado pela Telemig
Celular em setembro de 2000 para realizar a implantação
do Instituto. Desde então, tive a oportunidade de desenvolver,
com nossa equipe, um trabalho envolvendo os 853 municípios
de Minas. Trata-se do Pró-Conselho - Programa de Fortalecimento
dos Conselhos Tutelares e Conselhos Municipais dos Direitos da
Criança e do Adolescente, composto de dez projetos. É
nossa maior ação.
O Pró-Conselho visa ao fortalecimento do
Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Para isso, utiliza de forma intensa a capacidade de articulação
da empresa e do Instituto. Desenvolve suas ações
sempre em parceria com outras empresas, com o poder público
e com a sociedade civil, através de instituições
do terceiro setor.
Um dos principais resultados do Pró-Conselho
foi a criação de 302 Conselhos Tutelares e Municipais
dos Direitos da Criança em Minas Gerais, em parceria com
o Ministério Público, em apenas um ano e meio. Esse
programa está sendo replicado em outros seis estados brasileiros.
Instituto Ethos: Vocês promovem alguma
ação interna, envolvendo os funcionários
da Telemig Celular?
Francisco Azevedo: O Instituto Telemig Celular
desenvolve o programa Voluntários em Ação,
que tem como objetivo criar espaços para que os funcionários
da empresa possam desenvolver trabalhos voluntários.
Os principais projetos que compõem o programa
são: Fundo Amigo, que estimula a destinação
de recursos pelos funcionários aos Fundos da Infância
e Adolescência; Mutirão Amigo, que reúne mais
de cem funcionários e familiares em finais de semana para
participar de mutirões para reforma de prédios,
mobiliários, jardins e hortas de creches, escolas e entidades
sociais; além de campanhas de arrecadação
de livros, de brinquedos, de agasalhos e de alimentos.
Instituto Ethos: Qual a importância
da Conferência anual promovida pelo Instituto Ethos para
o movimento nacional de Responsabilidade Social Empresarial (RSE)?
Francisco Azevedo: A criação do
Instituto Ethos foi um marco na história empresarial do
Brasil e da América Latina. Foi a partir do Ethos que começamos
a discutir com mais profundidade a responsabilidade social empresarial,
dando a ela uma dimensão muito maior do que tinha até
então. A partir daí, o Brasil tomou conhecimento
de que RSE é muito mais do que ação social.
Responsabilidade social passou a ser vista como a forma ética
pela qual as empresas se relacionam com seus diversos públicos.
A Conferência é, sem dúvida,
o maior evento nacional nessa área e reúne um grande
número de empresários, executivos, gerentes e profissionais.
Tem contribuído não só na difusão
de conceitos, na troca de experiências, na divulgação
de histórias de sucesso, mas principalmente no fortalecimento
desse importante movimento nacional que busca a participação
das empresas na construção de uma sociedade mais
humana e justa.
Instituto Ethos: Qual seria o próximo
passo, agora que o conceito de RSE está cada vez mais difundido
na sociedade brasileira?
Francisco Azevedo: A cada ano percebe-se uma
preocupação do Instituto Ethos em aprimorar a Conferência,
atendendo às expectativas dos participantes. Como as questões
conceituais já foram bem trabalhadas nos anos anteriores,
penso que as pessoas atualmente estão em busca de informações
que possam facilitar a prática da RSE nas empresas. É
essa a proposta da Conferência 2003: levar informações
práticas e promover maior interação entre
os participantes, principalmente através das oficinas de
formação.
Instituto Ethos - Qual será seu papel
como coordenador da Oficina de Formação Dimensão
Social nesta edição da Conferência?
Francisco Azevedo: O papel de todo coordenador
é buscar o que há de melhor nos temas que estão
sob sua responsabilidade, procurando sempre promover a interação
entre os participantes, de modo que se aproveitem ao máximo
não apenas as experiências relatadas pelos palestrantes,
mas também de outros participantes. Espero que essa oficina
traga informações e boas práticas ligadas
à dimensão social da RSE. A oficina será
divida em quatro blocos: no primeiro, trataremos de conceitos,
tendências e desafios; no segundo, com base na matriz de
Business Cases, apresentaremos benefícios e riscos de negócios
resultantes de melhorias sociais; no terceiro, falaremos sobre
o processo de implantação de projetos, incluindo
as principais dificuldades e desafios enfrentados pelas empresas;
por fim, os participantes farão um estudo de caso concreto,
com base nas discussões anteriores. Com esse formato, acreditamos
que os participantes obterão informações
relevantes para o seu dia-a-dia.
Responsabilidade
Social I Histórico
I O Evento
I Estrutura
da Conferência
Público-Alvo
I
Programação I
Procedimentos
para Inscrição
Ficha de Inscrição
I
Informações
Complementares
Hospedagem
I Datas
e Local
I Apresentações Conferência
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